Eu falo do que Maria fala; do nada, do inexistente, que só existe dentro de mim. Falo da contradição, do contrário, do errado, do outro lado. Falo daquilo que só eu sei, que ninguém entende. Falo do que eu sinto por não sentir nada. Falo da vontade, da loucura, da solidão. Da falta de amor pelo excesso dele. Falo de como conviver com o sofrimento e com a ausência. Falo de como é ter cada órgão, desde o coração até as vísceras, atingido pela mesma droga de sensação que não traz sensação alguma a não ser a do vazio. Falo das estrelas que Maria aponta no céu, aquelas mesmas que se apagaram junto comigo.
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